quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Pré Lançamento - Myrkgand




Estive com Dmitry Luna, no Darkside Studio, em Recife, numa de suas visitas a cidade no processo de gravação do seu mais novo projeto: Myrkgand.
Trata-se de um álbum com atmosfera inspirada em mitologia, games, magia e literatura fantasy, que mescla estruturas musicais bem diferentes do que estamos habituados a ouvir nas composições das outras bandas das quais ele é membro (Metacrose, Necrohunter e Warcursed), contando com a produção de Diego DoUrden (Infested Blood, Mystifier), que também participa da faixa “Demon of Ice”, interpretando o próprio Demônio de Gelo.

Todo o projeto é realizado seguindo a batuta de Dmitry, que compôs, escreveu e também gravou as linhas vocais, que aparecerão limpas ou com guturais, durante a viagem por 10 músicas que compõem o primeiro CD do projeto Myrkgand.

Dentre os convidados para a gravação, segundo o próprio Dmitry, estão alguns de seus ídolos na adolescência, que mantiveram sua personalidade artística, mesmo seguindo o comando do criador do projeto.

Ele me disse também, que foi um a grata surpresa, perceber que além de todos os músicos a quem ele fez o convite, terem aceitado de pronto, o desafio, abraçando a sua ideia, eles ainda se tornaram amigos!

A capa, é de Emerson Maia, colorido por Antônio César.

Num papo rápido, falamos sobre o álbum:

Júlia Claudino - De onde surgiu esta ideia?
Dmitry Luna: Myrgand surgiu em 2012, quando eu ainda estava sem banda nenhuma, não tocava ao vivo, e estava com tempo para isso.

Comecei a compor, só não estava com grana para gravar.

Então, fiquei juntando dinheiro para fazer isso.
Eu parava, guardava no PC e as vezes eu ia lá nas músicas e mudava, dava uma lapidada, estava deixando as músicas bem redondas, lapidadas.

A medida que foram passando os anos, fui guardando algumas músicas e melhorando outras antigas.

Queria misturar estilos de metal que sempre gostei, e que as vezes não se batem. Por exemplo, público de metal extremo, tem muito preconceito! Fala: “_Ah, metal melódico é coisa de veado, é música de mulher! _ Como se ser mulher fosse uma coisa ruim (risos).”_Tem vocal chorado...”

Mas não é bem assim!

Eu sempre gostei de Rhapsody, Angra... eu amo Angra! Primal Fear, Helloween, Stratovarious, Sonata Artica... por outro lado, o público de melódico também tem preconceito! Falam: “_Ah, death metal é só barulho, é zoada, só gritaria, você não entende nada...”

E não é bem assim!

J.C. - De ambos os lados!

Dmitry: Pronto! É isso que eu quero dizer!
Tem o preconceito dos dois lados! E eu acho que não precisa ter isso!
Sempre, desde moleque, me interessei pela mistura de estilos. Daí eu comecei a ver bandas que faziam isso, como a Children of Bodom (e eles são a banda de metal extremo que mais acho melódica), outra, que eu vi também, foi o Dimmu Borgir, que é black metal sinfônico, onde os caras misturavam musica orquestrada com Black metal e também outras bandas do Brasil, como Malefactor. Inclusive, o Jafet (Amoêdo – guitarra) está participando do meu disco, fez um solo para uma música e ficou do caralho!

Malefactor, é uma banda black death metal, só que tem muita coisa muito melódica.  Vlad (vocalista), canta coisas melódicas e guturais. Ele dá uma alternada na música.

Eu até explorei pouco disso no meu disco, porque eu só coloquei duas músicas assim. O resto é tudo gutural.

J.C. - São dez músicas no seu primeiro álbum, não é isso?

Dmitry: Sim. Por enquanto, só lançada, a “Demon Of Ice”, através do Youtube, produzida por Diego DoUrden (Infested Blood, Mistyfier), que também participa dos vocais.

Na verdade, ele não iria participar, mas, na música há um narrador, que sou eu e  tem uma parte, na qual o demônio fala. Ele diz: “_Ajoelhe-se diante de mim, eu não tenho pena de ninguém.... e vou matar todo mundo (risos)!”

É nessa parte que ele canta e eu faço o backing com o vocal rasgadão!

Ele canta o mais brutal, uma coisa mais grosseirona, assim.

Como Diego está produzindo o disco, então a participação dele é total! Só que no começo, a gente não tinha ideia de colocá-lo em nenhuma música.

A gente sentiu e ele mesmo se animou: “_Porra Dmitry, está foda! Tenho que cantar uma música (risos). _ E ficou certinho!

Nós preparamos a música, antes das outras, as outras estamos terminando de mixar e masterizar para lançar agora no começo do ano.

Vou abrir, na próxima semana, uma campanha no Kickante, para ajudar a recuperar uma grana que eu gastei neste projeto, pois estou bancando tudo sozinho e é pesado!

Estou vindo de João Pessoa para Recife, tenho muitas despesas, e isso meio que me quebrou, mas vale muito a pena, pois o trabalho ficou massa, o ambiente é o melhor possível e a gente ta tendo muita calma para mexer nas músicas.

J.C. - Me fala sobre a participação do baterista nas gravações!

Dmitry: Eu compus no PC e um colega meu, chamado Monga – Eduardo Amorim, que é um dos maiores bateristas de João Pessoa, aliás, daqui do NE, já foi do Medicine Death, fez parte da banda Desidium, tocou na Necrohunter, que eu toco hoje em dia, enfim, veio de várias bandas, é formado em música na UFPB, pegou a bateria que eu criei, estudou, veio aqui e botou para foder!

Chegou com a partitura, tudo, com as viradas dele, com as características dele, e teve coisa que eu aceitei e outras que eu dei meus “pitacos”, e não aceitei, mas a gente chegou num consenso.

A bateria está muito foda!
Com ele, antes, inclusive com o Myrkgand, eu tentei fazer uma banda, tentei montar uma banda, e eu o convidei para ser o baterista nessa época, mas a galera tinha outras bandas, outras coisas para fazer. Não estava levando a sério, era só eu quem fazia todas as músicas! Daí eu disse: “_Ah, foda-se, vey! Só eu que estou trabalhando!”

Desfiz a banda e fiquei lá, guardando tudo. Pensei: “_Quero uma coisa bem feita. Então, vou fazer sozinho!” Daí, peguei e gravei todas as guitarras, baixo e vocal.

J.C. - Porque você decidiu tocar todos os instrumentos? Você tem algum tipo de formação musical?

Dmitry: Tenho uma certa facilidade, acho que porque estudei teoria musical e estou estudando bateria com o Eduardo.

Sei onde colocar os tempos certos, mas a memória musical precisa ser exercitada! não consigo, ainda, fazer muitas coisas na bateria!

Comecei tocando guitarra e violão clássico, já estudei baixo, já toquei cavaquinho num show em Pipa...

J.C. – E como vc selecionou os convidados?

Dmitry: Não sabia que ia chamar uma galera!
Foi bem natural, mesmo assim, mantive todas as composições sendo minhas, a ideia de estar lá, tocando a maior parte dos instrumentos do disco, assumindo a responsabilidade dos instrumentos e mantendo a galera só nos detalhes, como solo, backing vocal, um pedaço de uma música aqui e ali...sei lá!

J.C. - Pelo o que eu vi, foi até bom, não ter rolado a banda física, a banda de show...
Dmitry: Pois é! Ainda bem que eu não lancei antes, porque eu ia fazer uma parada que não ia ter esse ambiente de hoje, este entrosamento, essa parceria com Diego, que foi natural.
O Monga também entrou alí e Diego ficou de cara, pois ele entrou e gravou tudo na moral, com a partitura de lado...

Eu sou muito perfeccionista! não gosto de gente tratante, que adia as coisas!
Nós três nos damos muito bem, focados demais, por isso que deu certo!

J.C. - Me fala dos teus outros projetos! Todos eles estão ativos? Todas as tuas outras bandas?

Dmitry: A Metalcorse, da qual sou live member, está um pouco pausada, pois dois dos caras vão ser pais agora, e estão meio quietinhos! Esse ano não tem mais show!

No Warcursed, Dudu que é um dos guitarristas, quebrou a perna! Também estamos pausados para shows, mas estamos terminando de gravar o disco que está ficando do caralho!

A Necrohunter, está para lançar o EP Damnation e em seguida o full álbum, que me coloca na brincadeira de lançar simultaneamente quatro álbuns no início deste ano!

J.C - Danadinho (risos)!
***
Fique ligada, galera do Chama do Metal, q este é um dos nomes sobre quem vocês vão ouvir bastante em 2017!

Estamos esperando, o resultado final de tudo isso!

Saquem o link para ouvir "Demon of Ice" no Youtube!

Júlia Claudino, é diretora e apresentadora do Programa Loucomotiva Metal, produzido pela Recife Underground Scene, onde ela também é produtora, além de colaboradora do site Chama do Metal.