terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Entrevista: NECROMANCER - Thrash Metal (Rio de Janeiro/RJ)


Um dos principais nomes do Thrash Metal brasileiro, fundada nos anos 80 e com muita energia! Este é o carioca NECROMANCER, que concede uma super entrevista exclusiva para o site Chama do Metal, falando da sua longa história, formações, álbum “Forbidden Art” e muito mais. Confira:
Primeiramente, muito obrigado por esta entrevista. O NECROMANCER caminha para seus 32 anos de fundação certo? Conte-nos, como o grupo iniciou seus trabalhos?
NECROMANCER - Nós agradecemos o apoio e a oportunidade de participar da entrevista da CHAMA DO METAL.
Sim, o NECROMANCER já tem 32 anos de luta, com algumas paradas.
A banda começou no final de 1986 quando dois irmãos, Luiz Fernando e Luiz Cláudio, se juntaram a alguns amigos em comum e colegas de colégio, dando início a banda e que teve em sua formação original: Marcelo Coutinho (vocal), Robert Haulfon e Luiz Fernando (guitarras), Alex Rocha (baixo) e Luiz Cláudio (bateria).
Nesta época, a ideia era fazer um estilo de uma mistura Heavy com Thrash tradicionais, baseado em bandas da época como Slayer, Metallica, Kreator e até mesmo Iron Maiden.

Fazendo um comparativo entre a cena hoje com a de 30 anos atrás, onde vocês acham que mais houve mudanças? Se houve, vocês acreditam que está melhor ou vivemos em tempos de regressão.
NECROMANCER - Na década de 80/90, a divulgação era mais difícil e lenta. A divulgação das demos tinha que ser toda feita através dos correios, o que levava muito tempo e algumas vezes nem vinha a acontecer.
Naquela época para divulgar, tínhamos apenas as rádios (nada de internet!) além dos problemas mencionados acima.
Além do mais, era mais difícil conseguir bons instrumentos e equipamentos. Quando conseguíamos, os preços eram ainda mais altos dos que de hoje (no Brasil estes equipamentos são absurdamente caros!), e difícil encontrar estúdios de gravação com boa qualidade e com custo razoável.
Hoje em dia, com o acesso à internet, a melhoria da qualidade e a redução do custo para gravação, facilitou muito a divulgação do trabalho.
Contudo, esta mesma facilidade aumentou muito o número de bandas, dificultando a visibilidade.

O grupo pretende lançar um novo material neste ano de 2018?
NECROMANCER - Após a estabilização da formação da banda, já estamos trabalhando em novas músicas e estamos com planos de fazer um novo álbum no primeiro semestre de 2018.

Fale um pouco sobre a parte de composição, tanto lírica quanto instrumental, como funciona este setor dentro do grupo? Todos compõem juntos?
NECROMANCER - A parte instrumental (bases, riffs e estruturas das músicas) é composta pelos guitarristas Luiz Fernando e Alex e pelo baixista Gustavo.
A parte lírica é de um modo geral composta pelo Luiz Fernando e a melodia vocal pelo vocalista Marcelo Coutinho com ajuda e opinião de toda a banda.
Mas vale falar também que na grande maioria das vezes, as ideias iniciais, seja a parte instrumental ou a parte do vocal, são alteradas durante os ensaios, pois sempre acabam surgindo novas ideias, que acabam se encaixando melhor em algum pedaço da música e há sugestões de todos os integrantes da banda.

Quais são as temáticas apresentadas nas músicas do NECROMANCER?
NECROMANCER - As temáticas são as mais variadas possíveis, tendo temas que variam desde guerras, críticas à igreja e religião, até mesmo assuntos psicológicos e de personagens históricos, dentre outros.
Basicamente não há uma linha específica para os temas das letras. Os temas são aleatórios, às vezes baseados em livros lidos ou em textos, pesquisas feitas na internet.
A maioria das letras, cerca de 90%, são escritas pelo guitarrista Luiz Fernando, mas algumas letras têm ajuda dos outros da banda, que acabam sugerindo alterações em partes dos textos.

Quais são as influências musicais da banda como um todo? A banda aprecia somente o metal oitentista (até por ter vivido esta época) ou existem bandas atuais que gamam a atenção de vocês?
NECROMANCER - As influências são basicamente as das bandas da época em que começamos, ou seja, das décadas de 80/90, tais como: Slayer, Kreator, Destruction, Exodus, Death.
Atualmente estamos tendo algumas influências de bandas um pouco mais atuais e um pouco mais na linha de Death Metal, em especial a linha Escandinava, como por exemplo, Dark Tranquillity, Arch Enemy. Há também até pequenas influências de bandas mais porrada e pouco conhecidas, mas que são muito boas, interessantes e diferentes que estamos colocando em nossas músicas, mas sempre tentando manter nosso estilo original.

Como foi a repercussão do “Forbidden Art” desde seu lançamento? Ao ver do grupo, foi positiva?
NECROMANCER - Para falar a verdade este é nosso primeiro álbum. Antes, havíamos lançado apenas demo tapes e com menos músicas, coisa de 4 músicas. Então resolvemos fazer um apanhado e gravar algumas das músicas que tínhamos gravado anteriormente nas demos e dar um ar um pouco mais atual, mas mantendo o espírito da época. Ou seja, fizemos a gravação com equipamentos atuais, mas sem usar tantos recursos tecnológicos para ver se mantínhamos um feeling dos anos 80/90.
Tivemos boas respostas por parte da crítica, contudo, não houve um trabalho de divulgação. Estamos agora trabalhando com a Sangue Frio Produção para melhorar o trabalho de divulgação e a visibilidade, que já podemos observas nas diversas críticas.
Ouça no Spotify:
A banda passou por muitas mudanças em sua formação? Aproveite para falar um pouquinho sobre a atual.
NECROMANCER - Sim, a banda passou por diversas mudanças desde a formação original. Vários componentes da banda tiveram prioridades pessoais que impediram a permanência na banda.
A atual formação da banda conta com dois fundadores, Luiz Fernando (guitarra) e Marcelo Coutinho (vocal), mais dois integrantes das primeiras formações, Gustavo Fernandez (baixo desde 1987) e Alex Kaffer (guitarra, ex-baterista de 1988 a 2015) e agora com o novo baterista Vinicius Cavalcanti. Acreditamos que agora a banda esteja sim bem consolidada, estabilizada e mais entrosada.

Hoje vivemos em uma cena extremamente dividida em alguns lugares, conte-nos, como é a cena carioca? Há essa divisão?
NECROMANCER - Muito embora existam shows de pequeno, médio e até mesmo de grande porte (como o Hell in Rio), de um modo geral há poucas casas e, na maioria das vezes, são para bandas não autorais, ou seja, as melhores datas são para bandas covers. Acreditamos que esta seja a situação até mesmo em vários lugares aqui no Brasil pelo menos.
Apesar de a cena parecer não estar em alta, tem surgido algumas boas bandas no cenário do metal carioca, bem como no nacional. Além de terem surgido bandas novas, tais como Forceps e Vorgok, há também algumas de gente das antigas que estão retornando a fazer som com formações novas como Unmasked Brains e ColdBlood.

Podemos esperar por uma turnê na Europa do NECROMANCER neste ano ainda?
NECROMANCER - Infelizmente, não temos nenhuma oportunidade para uma turnê na Europa neste ano. A prioridade seria shows no Brasil.
Claro que a banda deseja em divulgar seu trabalho no exterior, em especial na Europa, mas este é um caminho ainda meio restrito e ainda está meio difícil de acontecer. Até mesmo por lá, acreditamos, a situação não esteja tão fácil assim para bandas estrangeiras que não tem nome conhecido ainda.

Como foi noticiado, a banda abriu oficialmente sua agenda de shows, por favor, deixe os contatos para que os produtores leitores do nosso site possam entrar em contato com o grupo.
NECROMANCER - Luiz Fernando: 21-998681786
Gustavo Fernandez: 21-991160328
Vinicius: 21-995712703

Muito obrigado por esta entrevista. Deixamos este espaço para as considerações finais.
NECROMANCER - Queremos agradecer o apoio e o interesse da equipe da CHAMA DO METAL e de todo o pessoal do mundo underground que fazem com que a cena do metal no Brasil ainda continue conseguindo se manter em atividade. Valeu mesmo a força!!
Esperamos em breve estar com um novo álbum e detonando uns shows pelo Brasil.