segunda-feira, 16 de abril de 2018

Entrevista com a banda Jupiterian


A Jupiterian (SP) é uma daquelas bandas que na primeira audição você já saca que o trampo é sério. A preocupação em ser profissional e ter um material de qualidade é um elemento importante e de respeito em qualquer meio musical. Desde Archaic (EP de 2014), Aphotic (2015), Urn (EP de 2017) e Terraforming lançado ano passado, somos levados a uma atmosfera e ambiente de um doom/sludge metal poderosíssimo proporcionando-nos uma experiência dark e hipnótica muito bem trabalhada, onde nada parece ser feito por acaso. Os elementos percussivos, teclados, vozes, guitarras marcantes e cozinha no ponto se unem em uma imagem/estado sonora pesada e causticante. Não espero a hora de vê-los tocando ao vivo!

O vocalista e guitarrista "V" tirou um tempinho para responder as perguntas abaixo:

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01 - Vocês entraram no Top10 de discos Doom lançados em 2017 do cvltnation.com, confirmando o reconhecimento e a qualidade do disco. O que mais esperam do Terraforming?

V - Nós entramos no top 10 de doom em 2015 da Cvlt Nation também com o Aphotic, a diferença é que dessa vez eles elegeram o Terraforming como o disco do ano do estilo, número um, batendo inclusive gigantes do estilo como o With the Dead, banda nova do Lee Dorrian e isso é muito mais do que poderíamos esperar. Claro que isso não define se um disco é bom ou ruim, cada pessoa tem uma experiência diferente em cada audição, mas estar em uma lista como essa é definitivamente um marco pra nós. Sendo sincero não espero muita coisa, tudo o que o disco nos trouxer de positivo será claramente bem vindo.

02 - Como foi o processo de produção e gravação do Terra?


V - Foi muito corrido na verdade. Nós tinhamos a música Us and Them que já tocavamos nos shows, inclusive os da primeira tour européia ao lado do Mythological Cold Towers e só. Quando voltamos e começamos a compor, foi meio que pegando uns cacos de música que já tinha rascunho e colando pra no final termos as músicas. Mas tudo isso em um período de pouco mais de um mês. Tanto que parte do que é o disco foi por que durante a mix eu ia pedindo edições pro cara (como deletar 04 min de uma música do nada). Tivemos vários problemas também, como ter que regravar o baixo inteiro porque descobrimos no final da gravação que ele tava desregulado e o som tava esquisito e isso fez com que eu regravasse também 80% das minhas guitarras. Foi muito trabalhoso, mas valeu a pena.

03 - Nos conte como rolou essa participação do Maurice de Jong (Gnaw Their Tongues) na faixa-título do último álbum.

V - Rolou a somatização de anos de amizade e trabalho juntos, na verdade. Eu conheço o Maurice desde 2011 quando fiz minha primeira entrevista com uma banda internacional, o Gnaw Their Tongues no caso. Desde então mantivemos contato e finalmente nos conhecemos pessoalmente em 2013 quando fui ao Roadburn pela primeira vez. Quando estávamos compondo o Aphotic, conversei com ele sobre a proposta e perguntei se ele não toparia mixar e masterizar o disco. Ele aceitou e desde então tudo que fizemos com a banda, passou pela mão dele. Na Terraforming eu tinha todas as linhas atmosféricas que criei no estúdio na base do experimentalismo mesmo e logo pensei que ele poderia criar alguma coisa em cima, falei com ele e de primeira ele acertou a mão e deixou como eu tinha imaginado.

04 - Como chegaram à capa do disco?


V - A capa foi feita pelo Cauê Piloto, que já havia trabalhado conosco no Archaic: Process of Fossilization e no URN. Nos conhecemos desde os tempos de escola, estudamos juntos no colegial e desde então somos amigos muito próximos, o que facilita a troca de ideias e compreensão mútua do processo. Eu expliquei pra ele minha ideia, ele chegou a rascunhar uma ideia anterior mas não estávamos 100% felizes quando ele veio com essa capa e foi um momento incrível quando vi aquilo porque ela somatiza absolutamente tudo que é o Terraforming estruturalmente.

05 - Como funciona o processo de composição da banda?


V - Geralmente eu venho com um riff novo e trabalhamos em cima. Tem coisas que saem mais facilmente, outras levam meses pra ficarem prontas. A Unearthly Glow foi o primeiro riff que compus depois do Aphotic, mas foi a última música a ser terminada antes de entrarmos no estúdio pra gravar o Terraforming.

06 - O que vocês costumam escutar ATUALMENTE? 
 
V - Eu ouço muita música atmosférica, dark ambient, trilhas sonoras, música minimalista e etc que possa servir de background nos momentos de leitura. Arvo Part e Metatron Omega estão sempre me acompanhando nessas horas.

07 - Em relação a shows, qual foi o mais memorável/marcante positivamente e outro negativamente?


V - Negativamente definitivamente foi em Weimar, na Alemanha com o Krypts. O cara da mesa não sabia muito o que estava fazendo deixou o som muito baixo e apagou todas as luzes pra nós e mal conseguíamos enxergar os instrumentos. Foi muito frustrante e era uma situação que não tínhamos como resolver na hora. Positivamente tiveram vários. Quase todos da tour com o Krypts e com o Hexer, mas eu citaria o NRW Deathfest na Alemanha, onde fizemos história por ser a primeira banda de doom metal da história a tocar no festival e a receptividade do pessoal foi fantástica. Tivemos um feedback foda. Em Berlim também foi grande, tinha gente pra fora do lugar querendo entrar mas esgotou a capacidade do lugar.

08 - Quais outras bandas de doom metal nacionais vocês têm contato? Quais vocês destacariam?


V - Tenho contato com várias, quase todo mundo que conheço tem banda e parte delas estão em bandas de doom. Acho que o maior destaque do doom metal nacional pra mim é o Mythological Cold Towers, banda fundamental do estilo no Brasil.

09 - O que mudou na proposta da banda desde a formação em 2013 e hoje em 2018? 


V - Muita coisa, na verdade quase tudo. Quando começamos, éramos em 05. Tinha um vocalista e eu tocava só guitarra. Antes de gravar o Archaic ficamos em quarteto e desde então temos evoluído muito como músicos. Nos entendemos melhor, já sabemos como construir uma música que soe como queremos soar e por vezes descartamos ideias porque não tem nada a ver conosco embora sejam boas ideias. Rola mais maturidade também pela experiência que adquirimos na estrada. Quando começamos mal sabíamos como tocar, hoje temos uma sala de ensaio nossa com nosso equipamento próprio onde podemos ensaiar e gravar tudo com o que acreditamos ser o melhor pro nosso som.
 


10 - Como é a dedicação dos integrantes em relação ao tempo para a banda? O que cada integrante faz em paralelo, etc. (Geralmente existe um "chefe" que agiliza mais as coisas, e tal. hahaha)

V - Todo mundo dedica muito pra banda, cara. Inclusive financeiramente. Mas acho que o melhor de fazer parte da banda é todos acreditam demais um no outro, na música que criamos e no todo que é a banda. Bom, eu assumo o papel de frente da banda por eu ter esse papel mais criativo além de burocrático no dia a dia.

11 - Quais os próximos passos/planos definidos da Jupiterian?

V - Compor. Já estamos trabalhando em músicas novas para o sucessor do Terraforming.

 


Formação: 

† V - G/V
† R - B
† A - G
† G - D


  
Autor da Matéria/Entrevistador: Fyb Carv (Anno Zero)