domingo, 29 de abril de 2018

Resenha Akercocke - The Goat of Mendes


The Goat of Mendes é o segundo álbum de estúdio da banda inglesa Akercocke, lançado no ano de 2001. Um som voltado totalmente ao Blackened Death Metal – ainda que, em certas passagens, presenciamos trechos curtos onde o som é acústico/limpo; o mesmo se dá com o vocal de Jason Mendonça. Akercocke é conhecido pelas suas abordagens voltadas ao satanismo, críticas à Igreja (enquanto instituição) e aos religiosos em si. Também tem um foco muito interessante no que concerne à sexualidade – percebe-se isso nas capas da banda; obviamente (estes temas podem ser justificados se analisado a proveniência de cada integrante da banda). Conquanto à musicalidade, Akercocke chama muito a atenção na nitidez sonora. Sendo o segundo álbum do grupo (geralmente os álbuns iniciais das bandas tendem a ter uma produção desagradável – em alguns casos!), The Goat of Mendes nos trás um conjunto musical muito impressionante: além de uma gama de técnicas necessárias que compreendem música após música deste álbum, é muito fácil conseguir discernir as passagens (seja da bateria, com seus pedais a “mil”, seja com os riffs agressivos – por vezes pacíficos) musicais. A bateria, agressiva do início ao fim, torna as músicas do álbum agressivas ao extremo e sem perder a essência. Os vocais de Jason Mendonça são inconfundíveis. Digo vocais, pois Jason se permite evoluir com o passar de cada canção, onde o mesmo se utiliza de supremos vocais guturais (posso comparar aos vocais utilizados por Nergal, da banda polonesa Behemoth, nos primeiros álbuns, até à metade de sua carreira como integrante da banda – convenhamos que os vocais de Nergal após o Evangelion mudou muito, mas ainda assim continua monstruoso; também assemelha-se ao vocal de Chris Burnes – ex-Cannibal Corpse e atual membro do Six Feet Under; por último, ao vocal de John Gallagher, da banda norte-americana Dying Fetus); no que concerne aos vocais limpos, com pegadas, diga-se de passagem, groove (em certos momentos, lembro-me muito da voz de Warrel Dane). 
 

The Goat of Mendes conta com doze canções muito bem trabalhadas e desenvolvidas – um tanto macabras também. Akercocke trás muitos elementos oriundos de bandas tanto de Death Metal Old School e Brutal Death Metal, quanto de bandas de Black Metal. Contudo, em algumas passagens, a banda mostra também uma leve inspiração em Thrash Metal (basta analisar o desempenho da bateria em algumas passagens deste álbum). A presença do Blast Beat é constante, enfurecendo ainda mais o ouvinte; com a condução e o “bate estaca” da bateria, há o conjunto de acordes não tanto agressivos mais a postura infernal de Jason com seus urros: isso agrega muito na preponderância do álbum. Neste álbum encontramos, além de elementos musicais, elementos ideológicos e políticos. Portanto, Akercocke é mais uma banda que supera a concepção do senso comum, pois além de miscigenar elementos múltiplos nas canções, busca fazer críticas interessantes e ousadas. Além da musicalidade, há também um outro fator a ser valorizado: a simbologia e estética da banda!.
 
  
Formação:
Jason Mendonça – vocal, guitarra
    David Gray – bateria e intrumentos de percussão
    Peter Benjamin – guitarra
    Daniel Knight – guitarra
    Sam Loynes – teclados
 
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Mais Informações:
 
 
Autor da Resenha: Leonardo Reis