sábado, 23 de junho de 2018

Resenha Novembers Doom - Bled White



 
A banda da vez é Novembers Doom (Doom Death Metal), direto dos Estados Unidos. Por já ser um tanto famosa, não será dificultoso descrever este belo e harmonioso álbum, que apesar de pesado, traz uma imensa tranquilidade em certas passagens (passagens estas que estarei descrevendo a seguir). Bled White foi o último trabalho da banda a ser lançado até o momento (e seu nono álbum gravado em estúdio), lançado no ano de 2014. O álbum já começa de maneira implacável com a faixa-título “Bled White”; com belas viradas de bateria protagonizadas por Garry Naples (que está na banda desde 2011) e acordes ensurdecedores das guitarras em conjunto ao contrabaixo. A música evolui paulatinamente, porém, direto ao ponto. Na música seguinte, “Heartfelt”, o que chama atenção são os alinhamentos vocálicos (vocais agudos e graves) para comporem certas passagens desta canção. Bled White consegue trazer alguns elementos que se assemelham com o trabalho anterior de Novermbers Doom, “Aphotic”, de 2011, ao mesmo tempo que diferencia alguns aspectos, como por exemplo, o peso do trabalho (ao meu ver); um conjunto que se dá pelas distorções das guitarras e pela pegada do vocal de Paul Kuhr junto às diversas viradas da bateria e aos feelings de cada canção deste álbum. Mas ainda assim continua se mantendo um trabalho muito veloz e contagiante. Agora falando naquilo que é muito relevante quando se tratando de Novembers Doom: trechos melancólicos e que ao mesmo tempo remetem à um clima pacífico. “Just Breathe” tem este início! Paul Kuhr é especialista em invocar este lindo vocal utilizado nesta canção. A banda por si só tem esta característica que lhes fazem ser um ícone no gênero. A transformação de musicalidade bruta para algo arrepiante se dá de maneira gradativa, por vezes estamos em um momento calmo e “feliz”; por outro estamos num momento de melancolia e tristeza. Nesta canção vale se atentar numa passagem de teclado/piano que enaltece-a completamente. Méritos para o solo que vem a seguir, complementando todas as características até o momento impostas na faixa. Mas a melancolia do Full-Lenght não para por aí. Há muita “porrada” para se descrever ainda neste álbum. Mas antes um breve comentário acerca de “Scorpius”: que influência em MPB hein? Com “Unrest” temos de volta a pancadaria, dando segmento à devastação imposta por Novembers Doom. É incrível como novamente há uma sonorização muito macabra com as vozes de Paul Kuhr e de Lawrence Roberts, que sincronizam passagens com vozes grave e aguda ao mesmo tempo, ilustrando um ambiente “macabresto” e paradoxo – isto continua com o andar da música. Neta canção, novamente méritos para os instrumentos de corda: sem falar da guitarra solo, a guitarra base junto com o contrabaixo evocam uma base eloquente e contundente, dando passagens para o belo solo que se dá pela guitarra solo. Vale a pena também prestar um pouco de atenção (na verdade, muita atenção) com a performance da bateria, por parte de esta sim provocando um verdadeiro caos para com relação à canção. “The Memory Room” tem seu início com aspectos já citados (inclusive aquele dos vocais insanos e em alinhamento, provocando sensações insanas ao ouvinte). A canção tem aspectos lentos e algumas passagens acústicas em meio às distorcidas. Destaque também ao encaixe entre solo e base (por parte da guitarra solo e dos demais instrumentos que servem de base) fazendo um belo trabalho. “The Brave Pawn” é uma canção muito agressiva do que as anteriores descritas até o momento. A bateria, nesta altura, mostra-se mais presente, partindo do aspecto da constância dos pedais duplos. Os riffs são lindos e grotescos. Também é a faixa que mostra que Novembers Doom também sabe ter uma pegada Thrash Metal e também Black Metal. E trata-se da canção com menor durabilidade e que é mais precisa do que suas anteriores. Também foge um pouco do aspecto Doom Death Metal melancólico, partindo para a brutalidade do Death Metal Old School (em certos pontos). “Clear”, sendo a oitava faixa do álbum (estamos quase terminando), volta a ter aquela característica fundamental para se compreender Novembers Doom. Nesta faixa percebe-se uma relevância mais preponderante do contrabaixo, auxiliando para com algumas partes técnicas da canção (inclusive na parte mais melancólica da canção; incluindo riffs mais melódicos). Já partindo para os momentos finais de Bled White temos “The Grand Circle”. 
 
 
 
Ainda assim uma ótima canção, mas nenhuma característica diferente do que já tenha sido mencionada. Mas tenho que reconhecer, a cada passagem a brutalidade aumenta, mesmo que de maneira gradativa. O vocal de Paul Kuhr torna-se mais brutal, contrastando-se mais uma vez com o solo da canção. “Animus” e “The Silent Dark” finalizam com maestria este digno trabalho. Todas a menções direcionadas à Bled White, no fim das contas, têm suas confirmações concretizadas por cada uma das canções. Cada passagem amedrontadora e rica em elementos musicais que contrastam com o sentimentalismo de muito dos ouvintes (estes que se identificam com as diversas passagens destas canções do álbum) Não poderia deixar de resenhar este impecável “trampo”. Sendo Novembers Doom uma das bandas mais fantásticas que tive o prazer de conhecer e ouvir (não pessoalmente, ainda!). Por hora é isto mesmo. Mais resenhas desta banda ainda virão a tona. Mas enquanto este momento não chega, fiquem com Bled White. Sério, vale muito a pena investir um determinado tempo e agregar ainda mais em seus gostos musicais. Para os que já conhecem esta banda, sabem o quanto ela é incrível. Para os que têm pouca afinidade com a mesma, sugiro que vocês ouçam além deste álbum, seus antecedentes – estes também digníssimos e propulsores do cenário Doom Death Metal. E que este álbum, ou a banda, façam parte de suas preferências musicais. Pelo menos para a minha pessoa, já faz parte há um bom tempo. Até a próxima!.
 
 
Formação:
Paul Kuhr - Vocals
Larry Roberts - Guitars
Vito Marchese - Guitars
Mike Feldman - Bass
Garry Naples - Drums
 
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Mais Informações:
 
 

Autor da Resenha: Leonardo Reis