sexta-feira, 20 de abril de 2018

Resenha Christ Agony - NocturN


Hoje começarei um breve projeto de resenhar dois álbuns incríveis da banda polonesa de Black Metal, Christ Agony (na verdade trata-se de um Black Metal poderosíssimo!) – se a motivação for maior, brevemente trarei mais resenhas a respeito desta banda que merece um espaço na Niflheim (estas resenhas se caracterizarão pelo aspecto track-for-track!).

Para começar, neste artigo trabalharei com o álbum “NocturN” (é assim mesmo que se escreve!), lançado no ano de 2011. Este trabalho possui oito canções, sendo a primeira possuindo uma dupla nomenclatura: “Opus Sacrum/Reign Of Chaos”; a primeira parte se refere ao trecho breve e pacífico que dá as boas vindas ao ouvinte. Caracterizado com elementos da natureza (remetendo a um determinado tipo de paganismo). A segunda parte nos trás o que temos direito: peso, técnica, coordenação e muita insanidade musical. A música é brevíssima, mas nos mostra a imensidão da potencialidade musical do grupo polonês: guitarras com extremas distorções e riffs megalomaníacos; contrabaixo com timbre e grave estridentes e com uma grande relevância na canção; bateria com um pedal duplo muito bem encaixado (que jogada de pedais! Coisa de louco!). 

Em seguida temos a canção “Frozen Path Unholy Fire” que já se inicia com uma bela execução da bateria; guitarras no mesmo tempo que, com cadência exemplar, demonstram uma velocidade caprichada e mantendo a beleza da canção. No passar da faixa, a bateria mantém a linha veloz e bem distribuída no que concerne aos tons (da bateria!). O vocal segue aquela linha tradicional do Black Metal norueguês noventista (elementos atmosféricos): vocal forçado ao extremo; um vocal sujo, mas uma sujeira que enaltece a beleza da faixa etc. “The Stigma Of Hell” tem um início típico ao do Arch Enemy: bateria com pedais bem cadenciados e convincentes; caixa com uma mixagem agradável e pratos frequentemente atacados. Esta canção se aproxima muito do Pagan Black Metal: seja pela velocidade que a bateria ruma na pós- introdução da faixa; seja pelo vocal e elementos utilizados pelas guitarras. A canção vai ganhando força conforme vai se executando (a bateria, nos momentos em que se potencializa com relação à velocidade, parece muito com uma metralhadora sonora!). Guitarras executando riffs simplistas, porém, lindos demais (aquelas técnicas que caracterizam o True Black Metal). Os Breakdowns executados são lentos, e dão um ar estilo Rotting Christ para a faixa (posso dizer o mesmo para o vocal!). É uma canção para bater cabeça e quebrar o pescoço – sem dúvidas alguma! 

“Silent Gods Of Darkness” tem um início menos veloz, mas ainda muito sincronizado (o peso das guitarras ajuda muito para que isso se concretize!). Esta canção já nos mostra elementos que transcendem o Black Metal, uma pegada melódica do Melodic Death Metal (ou, se preferirem, mantenho dentro do Melodic Black Metal mesmo). Destaque desta canção para a interminável execução do pedal duplo e vocal ecoante, que vai desde o Black Metal cru até ao Black Metal Atmosférico. A canção ruma para um final triunfante: guitarras e contrabaixo alinhados perfeitamente à bateria, dando um capítulo final e demoníaco à faixa. “Demonicon Illuminati” tem aquele típico inicio caracterizado pelo Death Metal Old School: guitarra solo efetuando belos riffs melódicos; guitarra base e contrabaixo mantendo uma linha base grotesca e extremamente pesada. Na parte seguinte, a bateria ruma à insanidade; as guitarras fazem o contraste da bateria (ajudados pela extrema distorção aplicada a estas – às guitarras). A música ganha o auxílio de um violão, incorporando elementos ainda mais sombrios à esta última – no trecho seguinte temos aquele Black Metal pós-norueguês noventista (caracterizado por riffs que já incrementam o Pagan Black Metal). Aviso: a bateria torna-se insana ao extremo – caixa, condução e pedais em velocidade quase que a todo vapor. Se lembram do auxílio do violão que mencionei à pouco? Então, ele retorna no início da faixa “Black Star Falling”, abrindo caminho para uma muralha acústica destruidora! As guitarras e contrabaixo trocam de posição com a bateria: desta vez, me parece que a bateria está mais poderosa, fazendo com que os instrumentos de corda se estagnem (tratando-se da velocidade nas quais os instrumentos são executados). A faixa cria uma identidade ainda mais sombria na sua metade: a bateria torna-se lenta; guitarras e contrabaixo executando um típico riff ao estilo Gorgoroth (mas isto é breve, pois no momento seguinte a destruição volta à tona novamente). Carinhosamente falando, a canção toma rumos totalmente barulhentos e sincronizados, é um mosaico elementar imenso a se analisar ao mesmo tempo. Sente-se também elementos furiosos do Viking/Folk Black Metal (aquela sensação de se estar no meio da floresta buscando as devidas conexões com as entidades pagãs). A canção se finaliza de forma bela com elementos do Melodic Death Metal.

“Flames Of Several Suns” deixa a importância do contrabaixo: este, o contrabaixo, nos mostra seu poderio e cadência junto à bateria e melancolia da guitarra solo. Também aí aparecem elementos do Sludge/Stoner Metal (guitarras lentamente arrastadas). Outro aspecto preponderante desta faixa é que ela deixa aquelas típicas características de um Black Metal grotesco e embarca para uma canção mais lenta e “pacífica”, permitindo-se adentrar a um novo campo musical. Nesta viajem, a canção permanece cadenciada e recitada a cada momento. E novamente adentramos a um novo momento musical, onde a música ganha novos aspectos juntaente nos momentos em que o vocalista pronuncia diversas vezes “Satan”, ficando ainda mais lenta (é a canção mais surpreendente no quesito experimentalismo) – e a canção se finaliza nesta cadência: com distorções monstruosas das guitarras e um jogo de pedal duplo impecável; remetendo também às características do Death Metal Old School executada pela banda alemã Morgoth. A última faixa – “Opus Profanum/Fields Of Inferno” – tem a mesma característica da primeira faixa (dupla nomenclatura). Também inicia com um som ambiente muito agradável, até a entrada da bateria: neste momento temos um Atmospheric Black Metal (levando em consideração o vocal monstruoso que entra no momento seguinte). A canção segue desta maneira por um bom tempo (saliento que neste momento a bateria está sendo executada numa velocidade impressionante; o contrabaixo engrandecendo a bateria com seu timbre forte e pesado). No lugar de guitarras altamente distorcidas, temos sons acústicos e atmosféricos; tranquilizantes e anestesiantes. A segunda parte da canção nos mostra características bem diferentes: entra um poderoso vocal, a típica bateria acelerada e guitarras mais técnicas (musicalmente falando), deixando o Black Metal executado ainda mais enriquecido e sofisticado. A canção ruma desta forma até seu término: bem técnico e cativante.

No que se concerne à mixagem dos instrumentos: tudo muito bem trabalhado e encaixado. A nitidez dos pedais da bateria junto com as distorções sem interferências sonoras das aparelhagens das guitarras dão uma real grandeza para o álbum. Mesmo executando um grande Black Metal, Christ Agony demonstra neste álbum estar muito aliado ao Death Metal Old School (mesmo que levemente). Na próxima resenha iremos ver que esta característica “DMOS” desaparecerá e, definitivamente, só restará o Black Metal. Antes que tirem conclusões deste trabalho, ouçam o álbum inteiro (e se possível, repitam-no) pois o que escrevi acima reflete minoritariamente a respeito daquilo que o álbum pode representar para cada ouvinte. Mas uma coisa é definitiva: a banda é monstruosamente boa! 


INTEGRANTES:
Cezar – Guitarra e vocal
Reyash – Contrabaixo e vocal
Młody - Bateria

Mais informações:

Autor da Resenha: Leonardo Reis