segunda-feira, 23 de abril de 2018

Resenha: Morbid Angel - Kingdoms Disdained (2017)


Depois de um hiato de 6 anos após o lançamento do controverso “Illud Divinum Insanus” (2011) e da saída do vocalista e baixista David Vincent e dos outros dois músicos remanescentes, Destructhor (guitarra) e Tim Yeung (bateria), eis que o guitarrista e fundador Trey Azaghtoth, começou uma busca por novos membros para incorporar ao time.

Assim como o ocorrido na final da turnê do álbum “Domination” em 1996, após o desligamento de David Vincent, ingressa ao grupo o talentoso e carismático frontman Steve Tucker, posição à qual ocupou de 1997 à 2008, e que retornou em 2015.

Sucedendo ao retorno Steve Tucker, em 2017 foram recrutados o baterista Scott Fuller (Ex -Annihilated) e o guitarrista Dan Vadim Von (VadimVon) e com este novo time, Trey anunciou o retorno tão esperado de um dos pilares do Death Metal, Morbid Angel.

Pra quem acompanhou a trajetória do grupo sabe que Steve Tucker trouxe ao grupo uma mudança muito objetiva na sonoridade, modificando a afinação e consequentemente a timbragem dos instrumentos, característica que deixou a atmosfera mais densa e sombria, diferenciando-se muito dos quatro primeiros registros da banda.

Começando a audição do álbum “Kingdoms Desdained” temos a faixa “Piles of Little Arms” que mostra a nova face do grupo, um som cadenciado que remete ao ouvinte características de “Formulas Fatal to the Flesh” (1998), com aquele som mais cru, afinações sujas e principalmente as linhas vocais densas de Tucker que novamente deixa sua presença de forma marcante.

A segunda composição do registro é “D.E.A.D.” que se inicia com um riff lento que aos doze segundos muda completamente de andamento, tornando-se rápido com presença de blast beats e viradas certeiras, tendo um destaque para as linhas precisas de Scott Fuller que domina as baquetas de forma impecável.

Adiante temos “Garden of Disdain” que com um riff lento e mórbido, carrega muito de antigos lançamentos do grupo, fazendo o ouvinte sentir a impressão de estar ouvindo uma mescla de “Word of Shit” do álbum “Covenant” (1993) com “He Who Sleeps” do álbum “Gateways to Annihilation” (2000). As linhas de guitarra de Trey mostram-se evidentes por toda a extensão da faixa, com alavancadas e pequenos experimentalismos que são marcas registradas do guitarrista.

“The Righteous Voice”, a quarta faixa do lançamento, mostra o lado mais brutal do registro, um som cru, rápido, que demonstra que a parceria Trey Azaghtoth com Steve Tucker é a principal marca do novo registro, riffs avassaladores acompanhados milimetricamente com linhas impecáveis de baixo, dois solos de guitarra que acrescentam técnica e encorpam a composição e os vocais agressivos dando forma e personalidade únicos a faixa.

A seguir temos “Architect and Iconoclast” e “Paradigms Warpded” duas composições que se completam. Aqui temos muito de “Herectic” (2003) com andamentos mais lentos atrelados a solos de guitarra mais extensos, característica abordada de forma maestral por Trey Azaghtoth.

Encerrando a audição, destacam-se ainda “The Pillars Crumbling”, e “The Fall Of Idols”, esta última apresentando riffs cortantes e cadência lenta, porém com algumas quebras de tempo e viradas executadas de forma exímia por Scott Fuller que em momentos consegue incorporar algumas lembranças de seu predecessor, o icônico baterista Pete Sandoval.

Para os fãs mais ortodoxos talvez “Kingdoms Desdained” não seja o retorno mais esperado dos mestres do Death Metal, porém para os fãs que gostam da fase pós David Vincent, este álbum é um excelente registro, trazendo novamente à evidência uma das maiores e mais influentes máquinas do metal extremo ainda em atividade.

Um lançamento honesto, coeso e que mostra uma superação incrível se comparado ao fiasco que se apresenta em “Illud Divinum Insanus”.

Faixas: 
01. Piles of Little Arms 
02. D.E.A.D. 
03. Garden of Disdain
04. The Righteous Voice
05. Architect and Iconoclast
06. Paradigms Warped
07. The Pillars Crumbling
08. For No Master
09. Declaring New Law (Secret Hell)
10. From the Hand of Kings
11. The Fall of Idols

Gravadora: Silver Lining Music 
  
O Morbid Angel é composto atualmente por:
Scott Fuller: Bateria 
Trey Azagthoth: Guitarras e teclados 
Steve Tucker: Vocais e baixo 
Dan Vadin Von: Guitarra (Turnê)

Nota: 8,0
 
Escute o álbum:

 

Autor da Resenha: Bruno Faustino