terça-feira, 5 de junho de 2018

Resenha Mourning Sun - Vaho

  
 MOURNING SUN - VAHO


Boa noite à todos(as) os(as) leitores(as)! Confesso que neste ano fiquei muito surpreso com a quantidade de bandas que acabei "descobrindo" através de minhas "andanças" pela web. O grandioso número de músicas fantásticas pelas quais, na maioria das vezes, fez-me apegar por diversas bandas, dos lugares mais remotos possíveis – não chegarei ao ponto de retratar isto. A grandeza de bandas que ainda habitam o mundo underground e que, por vezes, não têm o devido valor reconhecido pelo público, dando assim, a oportunidade de propagação de muitos projetos. Por vezes aniquilando-os do mapa do metal; por vezes impulsionando algumas bandas somente até a metade de seu trajeto, consolidando num tímido sucesso e, após o mesmo, apagando-os como uma vela debaixo de chuva, entristecida e isolada. Desta maneira, decidi que deveria investir em um amplo conhecimento acerca de bandas próximas de onde habito; de bandas que agregam valores culturais semelhantes às de minha localidade. Por vezes cheguei a pensar que seria perda de tempo mas, após uma turnê da banda Khrophus (Technical Death Metal de São José - SC, Brasil) na Argentina; após uma série de observações, constatei a quantidade de bandas que contribuíram para com o sucesso da mesma nas terras gélidas argentinas. Consequência disso, foi que comecei a ouvir mais bandas daqui do sul do globo, para ser mais preciso, do Chile. Um tanto paradoxo já que me senti atraído pelas bandas argentinas. E uma das primeiras bandas que tive o prazer/oportunidade de conhecer foi Mourning Sun. O álbum da vez chama-se VAHO, lançado neste ano de 2015. Um incrível EP com quatro canções, tidas por mim como canções graciosas e emocionantes. Mais a frente relatarei o sentimentalismo imposto por elas.

Mourning Sun, por vezes é retratada como sendo uma banda que transmite-vos um Avante-Garde Metal de primeira; outrora, como sendo uma banda do ramo Symphonic Doom Metal (ou somente Doom Metal mesmo, para ser mais simples). Suas canções dão a sensação de se estar em um campo gélido onde somente uma linda rosa habita, dando um ar pós-apocalíptico. Já de cara relato-vos que "Spirals unseen", a canção de abertura do EP, é uma obra de arte; uma canção amedrontadora mas, que ao mesmo tempo, nos remete à um lindo sonho utópico: sua melancolia chega à uma insanidade tão imensa que, por vezes, é convertida em uma espécie de felicidade agregada com tons foscos de um sentimentalismo de compaixão (com alguém; com algo; com algum ocorrido; com alguma perda; com algum ganho). VAHO é a antítese musical: unindo a melancolia existente em todos os aspectos instrumentais, que envolvem às canções, junto do arrepio monstruoso que envolve o ouvinte junto aos traços melancólicos e árduos das passagens de cada instrumento. Sendo assim, temo-nos uma unicidade: um corpo musical que acaba penetrando no subconsciente do público-alvo em questão. É assim que VAHO busca agir perante seus ouvintes. "Cabo de hornos" e "Vena cava" dão continuidade à essa agonia. Ana Carolina, esta por sua vez sendo a vocalista da banda (e que bela voz esta mulher tem!), apresenta um papel semelhante à de Lilith: envolvendo o ser humano, ao mesmo tempo que lhe apresentando um mundo novo, fugindo da "caverna de Platão", rumo à um novo mundo cheio de saberes e experiências; ultrapassando a fronteira da bolha e penetrando na região da insanidade. Fazendo assim, com que o homem/mulher sintam-se superiores através daquilo que estão ouvindo; o poder da autoconsciência perante a música; a atraação à sabedoria tendo as canções de VAHO como propulsores sonoros. "Manantial" é a representação nata de uma erudição musical; uma demonstração radiante. À maneira da primeira música, esta, Manantial, tem uma entrada um tanto diferente da primeira: portando um ar de felicidade misturados à lembranças; rememorações de uma época remota; àquilo que se deixou de existir há muito. Ela acaba passando num piscar de olhos e quando você se dá conta, a canção há de ter terminado. É tudo muito rápido! A legitimidade deste trabalho mostra-nos como a mensagem musical é contagiante e bela. VAHO está entre os álbuns mais belos que ouvi, não somente pela sua especial comoção que me causa mas, pela simplicidade de suas características musicais, pelas quais me emocionam de uma maneira épica e rara. Os tracejos das canções tendem à levar o ouvinte à uma Odisseia. A instrumentalidade das canções são belas, fazendo o ouvinte repetir a execução das faixas, de tão belas que elas são; de tão simplórias mas ao mesmo tempo tão ricas e graciosas, carregadas de um emocionalismo extremo.  Quando se descreve um trabalho que se encaixe no Doom Metal, o compromisso de se relatar as sensações são realmente grandes, para que só assim, por mais subjetivo que seja, o leitor/ouvinte tenha a sagaz capacidade de compreender do que se está lendo/ouvindo. E VAHO é totalmente emocional. Relativamente gracioso mas, incontestavelmente megalomaníaco.  
 

Não será aqui necessário relatar a mágica através dos instrumentos, para isso, aconselho o leitor/ouvinte que tente tirar no máximo uma hora para investir em um emocionalismo através deste lindo trabalho. Não é à toa, dá-se a vontade de ouvir mais uma; e outra; e de novo, por completo, repetir todas as músicas deste EP. Nenhuma palavra mais pode descrever o que Mourning Sun vos passa através de suas canções. Christian Aravena, Claudio Hernández, Sebastián Castillo, Eduardo Poblete e Ana Carolina estão prontos à avançar ao Valhalla, pois já contemplaram o ser humano com suas canções belas e orquestradas; quiçá, o outro plano agora os espera, para que desta vez os deuses tenham a chance de experimentar este glorioso e magnificente trabalho apresentado por Mourning Sun, em VAHO. Os deuses lhe esperam Mourning Sun!. 

 
Integrantes da banda:
Ana Carolina - Vocal
Eduardo Poblete - Teclado
Sebastián Castillo - Guitarra
Claudio Hernández - Bateria e Guitarra
Christian Aravena - Contrabaixo


Canções do EP "VAHO":
01-Vaho (Intro)Spirals Unseen - 8:15
 02. Cabo de Hornos - 8:37
03. Vena Cava - 5:55
 04. Manantial - 8:15
 

Mais Informações:
Autor da Resenha: Leonardo Reis