terça-feira, 8 de maio de 2018

Resenha The Faceless - Authoteism


É com um imenso prazer que resenho esta manhã Authoteism, terceiro Full-Lenght da banda americana de Technical Death Metal, The Faceless. Lançado no ano de 2012. Uma das bandas mais incríveis que tive o prazer de ouvir (na verdade, ainda tenho!). Antes de mais nada creio, seja interessante mostrar o porque desta banda ser um diferencial imenso quando se tratando de música; também pelo fato de fazer um Technical Death Metal que se sobressai com relação à outras bandas. No ano do lançamento do álbum, a banda era composta pelos seguintes integrantes: Geoff Ficco, no vocal; Michael Keene, na guitarra solo e vocal de apoio (e que voz! Dando o suporte necessário para incrementar na beleza das canções) – também é o membro fundador da banda –; Wes Hauch, na guitarra base; Evan Brewer, no contrabaixo (confesso que Evan é um dos melhores baixistas que já ouvi até os dias atuais – aos que ainda desconhecem este grande baixista, deixarei o link após esta resenha para que possam se ater à instrumentalidade deste grande músico/compositor!); e na bateria, temos Alex Rudinger, que hoje também é membro de outra banda americana de Instrumental Technical Metal, Conquering Dystopia (que conta com Jeff Loomis, Keith Merrow e Alex Webster – nada demais né?). 

Em minha última resenha (sobre o álbum “The Goat of Mendes”, da banda inglesa Akercocke) citei que um dos propósitos da banda em questão era a abordagem ferrenha ao satanismo. Desta vez, o foco é outro. Diria que é uma forma de contra argumento: The Faceless se atém a temas voltados a críticas religiosas. Mas muito mais do que somente críticas. Percebo que suas letras (no álbum em questão) são voltadas totalmente ao ateísmo. Para isso basta conferir a letra da terceira faixa do álbum em questão: Autotheist Movement III: Deconsecrate. Onde num determinado trecho, a canção desafia os valores primordiais da religião (para isto, peço que confiram trecho por trecho, pois vale muito a pena!). Não só a letra como também o clipe oficial em questão (neste caso as críticas são voltadas também à Igreja enquanto instituição político-ideológica). 

A magia do álbum já começa já nos primeiros 15-17 minutos, onde presenciamos uma trilogia musical: Autotheist Movement I: Create; Autotheist Movement II: Emancipate e Autotheist Movement III: Deconsecrate (este último já citado anteriormente). A primeira faixa tem um início pacífico e apresentador: tanto da proposta do álbum quanto na musicalidade e mensagens que se envolvem junto às letras. É simplesmente um início arrebatador e épico. Da maneira que a canção começa, termina: pacífica e envolvente (admito que ela chega a ser arrepiante, pois o nível do feeling musical é muito grande – nesta canção somente Michael Keene canta). Do término desta canção, emenda-se a segunda em questão. A “porrada come solta” e os atributos do Technical Death Metal entram em cena junto com a voz colossal de Geoff Ficco. Há também um jogo de break downs, conforme a canção vai sendo executada: contrabaixo, pedais da bateria e guitarras em perfeito alinhamento. Vale lembrar que os solos executados por Michael Keene são um dos melhores que já ouvi. Combinam perfeitamente com as canções e dão um clima perfeitamente inexplicável: melancolia com um árduo ar de raiva. A segunda parte da canção termina com um lindo solo de guitarra (a guitarra chora até não poder mais!) e nisso, temos o início da terceira e última parte desta magnífica arte. Deconsecrate possui elementos das duas canções anteriores, mas o diferencial se dá no meio da canção: um lindo e desconcertante trecho de saxofone, da autoria de Sergio Flores. 

Terminando esta trilogia, temos muito mais de música desconcertante e boa, realmente muito boa! “Accelerated Evolution” é a canção pós-trilogia do álbum. O impacto ao ouvir esta canção não se dá tanto pela instrumentalidade em si (na verdade está é muito bem executada, não mostrando-se inconveniente em momento algum – prova disso são os solos executados por Michael Keene), mas a letra em questão, os trajetos líricos da canção. (para isso, sugiro que leiam a letra da canção em questão, também!). Esta também é uma canção em que Geoff Ficco e Michael Keene oscilam em sua perseverança vocálica: enquanto um dá sua introdução, o outro complementa com traços atmosféricos e impactantes (condensando ainda mais a elementaridade dentro desta canção). O mesmo se dá em “The Eidolon Reality”: Keene dá sua introdução e Ficco sua contribuição para finalizar as passagens musicais. Tem-se também aspectos do Djent Metal nos riffs de Keene (nada de novo, pois na trilogia deste álbum é muito perceptível a influência de Keene com relação ao Djent). “Tem Billion Years é a canção que dá segmento ao Full-Lenght. Confesso que esta canção, além de muito bem trabalhada, chega a ser emocionante, principalmente no momento em que se intercalam nos vocais, Ficco e Keene: a canção, de bruta e seca (ainda mais se levar em consideração a letra), se torna mais melancólica e flexível (musicalmente e emocionalmente falando). E mais uma vez Keene, com seus solos límpidos e emocionantes, destrói e detona nesta canção (devemos levar em consideração a base desta música também, ela remete a um clima mórbido/sombrio).

“Hail Science” é a única música instrumental do álbum e que, ao meu ver, dá início à suposta segunda parte do álbum. Dando ao ouvinte novas expectativas daquilo que está por vir nas próximas faixas. Ela é breve e, no seguinte momento, entra em cena “Hymn of Sanity”. Esta canção é totalmente breve (tanto é que sequer chega a completar 3 minutos). Esta canção remete muito aos trabalhos anteriores da banda como, por exemplo, “Planetary Duality” e “Akeldama” (com exceção da Demo lançada em 2006, The Faceless possui estes dois álbuns citados acima), onde as canções são diretas e com poucas elementaridades melancólicas. Simplesmente Technical Death Metal: brutalidade com passagens musicais coesas. É na faixa-término que eu dou total significação para aquilo que o álbum representou para a minha pessoa. “In Solitude” é a mais bela canção; a mais emocionante (não só pelas passagens acústicas), mas porque remete ao início do álbum, onde Keene incorpora um astuto músico (algo que ele é!) com sua megalomaníaca voz. Um brilhantismo vocálico insuperável. É algo necessário para uma canção que termina com todo um conglomerado musical antes descrito aqui (um álbum deve ser, ao mesmo tempo, teatral, brutal, emocionante e com um tema abordado de forma linear e não-linear, independente da brutalidade; deve-se ter coesão e conexão). Após Ficco assumir os vocais, a canção se torna ainda mais sublime e as guitarras culminam com suas melancólicas passagens, até que, no momento em que a canção se torna mais bela possível, Ficco e Keene dividem o campo sonoro e enquanto um atém-se ao vocal gutural, o outro objetiva-se a usar um vocal lírico e melódico (Ficco e Keene, respectivamente). Há duas passagens com esta característica. Até que, infelizmente, a faixa tem de terminar. “In Solitude”, junto com a trilogia musical do álbum, é a canção mais enaltecedora que se pode ter. Um trabalho árduo e complexo.

 
  
Há boatos de que a banda irá lançar mais um Full-Lenght ainda neste presente ano. Esperamos que seja um trabalho tão complexo e carregado de um “emocionalismo” exagerado como foi Autotheist; e com algumas participações extras, enriquecendo no que concerne à variabilidade musical e sua riqueza também. 
 
  
Formação Atual:
Michael Keene - Guitar/Vocals
Ken Sorceron - Vocals
Justin McKinney - Guitar
Bryce Butler - Drums 
  
Contato:
 
Mais Informações:
Itunes 


 Autor da Resenha: Leonardo Reis