segunda-feira, 7 de maio de 2018

Resenha Melechesh - Enki


Uma banda totalmente paradoxal se comparado aos costumes orientais desde os dias mais remotos até aos dias aos quais presenciamos. Melechesh é o tipo de banda inovadora em seu ramo e traz consigo toda uma horda revolucionária musical. Contrastando as características político-religiosas mais o fundamentalismo/extremismo oriundo daquela região compactada em música. Verdade seja dita, mas os integrantes do grupo tiveram de se retirar de seu país natal (Israel) por motivos “profissionais”/pessoais e se realocarem para outras localidades (França e Holanda) para, supostamente, manterem sua segurança, isto para se ter uma noção da periculosidade que se havia de estar habitando/trabalhando naquela localidade, propagando mensagens contraditórias com relação ao povo; cotidiano; mito-religião; entre outros aspectos que muitos acharam inadmissíveis daquela região; vindo de uma banda na qual os integrantes eram israelenses. Provando assim que, de maneira indubitável, o(a) fanatismo/cegueira está rumando para com relação à fragmentação musical com o intuito de deteriorá-la. Enfim, vamos ao que interessa. Enki é um dos trabalhos mais impecáveis e incríveis que tive o prazer de ouvir. Produzido no ano de 2015 (ainda é um álbum fresquinho – saído do forno), é um trabalho totalmente revolucionário que traz elementos orientais (característica primordial da banda) e uma imensa progressividade; por isso, muitos rotulam a banda como sendo “Mesopotamic Metal”; “Oriental Metal”; “Black Folk Metal”; “Prog. Black Metal”; entre outros atributos. Como citado anteriormente, Melechesh é uma banda de Israel e traz em suas letras a mitologia mesopotâmica; entre outros temas. O álbum conta com nove faixas alucinantes e muito bem trabalhadas; não há nada (ao meu ver) de maçante nas composições e passagens. Tudo muito bem esquematizado e encaixado, de maneira lógica e complexa. 
 
 
As duas primeiras faixas (“Tempest Temper Enlil Enraged” e “The Pendulum Speaks”, respectivamente) demonstram perfeitamente o que estou escrevendo. Muita velocidade e complexidade alucinógenas sobrecarregadas nos riffs e batidas da bateria. Canções muito bem trabalhadas que deixam o ouvinte na seguinte dúvida: ou estudar de maneira eficaz a estrutura destas canções (de maneira matemática e lógica) ou “bater cabeça” de maneira explosiva, deixando-se levar pela pegada das canções. “Lost Tribes”, sendo a terceira faixa, com participação mais do que especial de Max Cavalera (ex-Sepultura, ex-Nailbomb, Soulfly, Cavalera Conspiracy, Killer be Killed), que com seus urros deixam a canção mais amedrontadora e inspiradora. Música totalmente complexa do início ao fim, remetendo à cultura árabe-oriental e demais costumes daquela região/civilização. E sem dúvidas uma das melhores canções do Full-Lenght. “Multiple Truths” e “Enki - Divine Nature Awoken” vêm logo em seguida, dando continuidade à sagaz obra israelense. Sendo a quarta e quinta faixa respectivamente, sendo esta última a minha preferida por ter uma imensa complexidade e agressividade mais uma progressividade que nenhuma outra canção consegue se aproximar (com exceção da última faixa – “The Outsiders” – que quase chega lá, mas é mais por seu tempo de duração (e progressividade ´também, convenhamos). E seguindo a mesma linha do álbum, “Metatron And Man”; “The Palm The Eye And Lapis Lazuli”; “Doorways To Irkala”; e “The Outsiders” (como citado pouco antes; sexta, sétima, oitava e nona canções respectivamente)finalizam o álbum com maestria e destreza: características práticas para profissionais do ramo (que é o que são os integrantes do Melechesh). Enki é um trabalho inovador e megalomaníaco que, paulatinamente, vai conquistando fãs pela sua estrutura consolidada e repercussão no mundo do metal. A mixagem das aparelhagens foram encaixadas e executadas de maneira sólida e impecável dando um ar de “não irritabilidade” quando ao ouvir as faixas (algo fundamental para agregar para com relação ao clímax das canções). E é desta maneira que lhes apresento mais uma obra que deve ser muito respeitada e louvada! E que venham mais álbuns neste patamar e nesta complexidade. E que venham também mais músicas desafiadoras quando no ramo político-cultural. Pois é assim que a música (Metal) vem se consolidando: sendo extremamente verdadeira; realista e leal para com as causas de nossa era. Sendo assim, incomodando muita gente neste mundão (quebrando a maneira tradicional de se pensar a política da vida).
 
 
Formação:
Ashmedi - vocals / guitar
Scorpios - bass/backing vocals
Moloch - guitar
Lord Curse - drums
 
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Autor da Resenha: Leonardo Reis