domingo, 9 de setembro de 2018

Resenha Radioactive Murder - Violent Force


“O thrash metal está morto e teve sua tumba violada várias vezes nos últimos anos”... Se você concorda com esta informação (que pena!), passe longe desta banda e de vários outros lançamentos já resenhados este ano por aqui. À bem da verdade, há uma forte tendência nacional e internacional em fazer o thrash metal voltar a seus tempos de glória dos anos 80 da Bay Area e esse movimento tem meu aval. Já mencionei algumas vez por aqui o termo “revival thrash” ou ainda “thrash new wave”, subgêneros modernos em ascensão responsáveis por uma vasta gama de novos fãs aos dinossauros do peso oitentista e que estão conseguindo manter a chama do thrash não só acesa mas incendiando quem se aproxima da pira. É inegável o status de “cult” a que se tornou o estilo. Mesmo perdendo espaço na década de noventa, o thrash metal nunca esteve, de fato, morto. Seu vigor sobreviveu a anos negros e desde a virada do século o que se viu foi o surgimento de novas bandas que só tendem a agregar a uma causa maior.

Florianópolis não tem a maior das cenas de heavy metal dentre as capitais do país, mas assim como acontece nos subúrbios de todo o Brasil, dizer que a cidade é inoperante do underground é uma enorme afirmação errônea. E dentre as bandas da capital que já tiveram a coragem (e a capacidade) de lançar algum material próprio, a mais recente delas são os thrashers da Radioactive Murder. Seu EP “debut” é mais um certeiro prego no caixão de quem consegue afirmar que o estilo deveria viver do passado.
Composta de cinco faixas, “Violent Force” é o cartão de boas vindas (ou a mala-direta, nestes tempos de Internet) do grupo sediado em Florianópolis. E o que você ouvirá no decorrer das cinco faixas agrada, primeiramente, por um quesito muito importante: “Violent Force” não tenta ser um remake de “Bonded by Blood” do Exodus ou muito menos um novo “Zombie Attack” do Tankard. Até mesmo dentre as bandas formadas neste novo século são evidentes as diferenças se comparadas a lançamentos recentes como Jackdevil, Lost Society ou Gamma Bomb. Há uma coerente identidade pessoal no EP e tão somente por este motivo ele já valeria uma primeira audição. Felizmente, os músicos da Radioactive Murder conseguiram ir além disso. As faixas do EP não soam emboladas, graças à velocidade constante e da pegada insana do gênero, neste caso o destaque vai para as grandes sacadas do baixista André Barreto que deve estar contente com o resultado harmônico do “debut”. André é o maior responsável pelas composições rítmicas de “Violent Force” embora as letras sejam assinadas pelo vocalista George Lucas (que começou a cantar depois que vendeu Star Wars à Disney!). E já que citamos o vocal de George, os gritos e seu tom “rasgado” cobrem toda a extensão do EP, dando um ar nostálgico aos saudosistas do passado aliado aos drives mais modernos. Uma interessante mistura de Hirax com Antichrist Hooligans (outra banda da capital catarinense, já resenhada por aqui também). Mesmo tendo somente um guitarrista (precisa de mais um, mesmo? Marcel Canedo consegue dar conta do recado perfeitamente!), a cozinha da banda é límpida e capaz de segurar a base de forma bem competente, o baixo de André e a bateria de Anderson Vieira são vigas grossas de sustentação do EP que casam perfeitamente o groove, a velocidade e o peso das seis cordas de Marcel. Talvez pelo fato de serem um quarteto, os graves fartos de efeito de André ganhem maior ênfase, sem parecer “mais um músico em cima do palco, enquanto a guitarra sola”. E se você, assim como eu, gosta de solos precisos  e nem sempre somente do guitarrista  precisa ouvir “Violent Force”: aviso de solos das quatro cordas em frente!. Até o final desta resenha não consegui escolher uma única música destaque do EP, então é mais empírico que se recomende toda a gravação, neste caso. Inclusive da quarta canção, “Beer”; quase uma faixa escondida do trabalho com pouco mais de 60 segundos de duração. A produção de “Violent Force” consegue ser bem profissional para um lançamento independente, sem o selo de uma gravadora. Gravado e mixado no Chagaz Estúdio, em Florianópolis, quem assina a produção é o também baixista Leonardo Chagas. Mas o maior chamariz, muito bem sacado pelo grupo, está na arte da capa do EP, Produzida pelo artista Guilherme Bridon (que também é vocalista do Pogo Zero Zero, de São José). Arte profissional para um lançamento profissional. Guilherme conseguiu captar muito bem a proposta do EP e a capa consegue saudar o passado do thrash metal, fazendo questão de mostrar o quão neoclássico o estilo pode ser. Devo mencionar que o trabalho foi todo pintado a mão?. Ao término de quase vinte minutos do EP a primeira conclusão que o ouvinte pode chegar é que o thrash metal (independente de seus subgêneros do presente ou do passado) ganhou mais um filho pródigo da capital do estado esquecido no sul do país. E assim como boas bandas do cenário underground da região já possuem renome em Florianópolis, a Radioactive Murder agora tem sua própria longa estrada a ser percorrida com violência e a euforia dos iniciantes. Que eles sigam os exemplos do Khrophus, Antichrist Hooligans, Red Razor, Skombrus e até mesmo do Stormental, bandas da Grande Florianópolis que já possuem renome na região, galgando suas carreiras.
 
 

Se o thrash metal está morto no Brasil e em Florianópolis, é hora de fazê-lo levantar de sua tumba rota; e como todo bom moribundo, sua aparência pouco importa a seus apreciadores: o urro morfético dos caídos é o único som de interesse por aqui.
 
 
 
Formação Atual: 
Lucas Alucinatör (Vocal)
Anderson Vieira (Drumms)
Adrian Arruda (Guitar)
André Barreto (Bass)
 
 
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Autor da Resenha: Guilherme Thielen